A privatização da Sabesp tem gerado apreensão entre os trabalhadores da empresa na Baixada Santista. Diante do que considera um processo de desorganização administrativa e perda de autonomia regional, a Diretoria do Sindicato dos Urbanitários (Sintius) defende a realização de uma auditoria ampla e independente na gestão da companhia para apurar falhas operacionais, de pessoal e de segurança que, segundo a entidade, afetam diretamente a prestação dos serviços à população.
Na avaliação do Sindicato, problemas que antes eram resolvidos com agilidade na própria região passaram a depender de decisões centralizadas na capital paulista, resultando em demora no atendimento e em dificuldades cotidianas que comprometem a rotina operacional das unidades de saneamento.
A descentralização prometida com o novo modelo, segundo os trabalhadores, produziu efeito contrário. Áreas estratégicas, como recursos humanos, financeiro e manutenção, passaram a operar de forma fragmentada, gerando falhas recorrentes.
No setor de pessoal, há relatos de trabalhadores que cumprem regularmente suas jornadas, inclusive horas extras e turnos noturnos, mas recebem avisos de abandono de emprego devido a erros nos sistemas internos de controle.
Também são relatadas inconsistências no controle de ponto e na folha de pagamento, especialmente no registro de horas extras realizadas durante a noite, nos fins de semana e em situações de emergência. Esses problemas podem resultar em horas não computadas e divergências nos pagamentos.
Há ainda relatos de erros nos descontos relacionados às entidades sindicais, com registros de trabalhadores não associados que aparecem com descontos e de associados que deixam de ter os valores processados.
Problemas com terceirizadas
A terceirização de serviços também é alvo de preocupação. Segundo relatos recebidos pelo Sintius, empresas contratadas teriam abandonado postos antes da conclusão dos contratos, deixando, em determinadas situações, trabalhadores sem salários e demais direitos e provocando sobrecarga nas equipes remanescentes.
Para o Sindicato, a terceirização não pode significar a transferência de responsabilidades. A Sabesp deve fiscalizar o cumprimento das obrigações trabalhistas, contratuais e operacionais pelas empresas contratadas e adotar mecanismos para evitar que funcionários sejam prejudicados após a saída de uma prestadora.
Segurança das unidades
A insegurança também preocupa os companheiros da Sabesp. Há relatos de vulnerabilidades em estações de tratamento de água (ETAs), estações de tratamento de esgoto (ETEs) e demais unidades operacionais, algumas delas com sistemas de proteção insuficientes.
O Sindicato aponta, ainda, ocorrências de invasões, além de problemas de manutenção em equipamentos essenciais de climatização, refrigeração, bombeamento e outras estruturas necessárias ao funcionamento das unidades. Tais situações elevam os riscos para os trabalhadores, os equipamentos e a continuidade dos serviços.
Baixada Santista não pode ser administrada à distância
Para o Sintius, a centralização das decisões é especialmente preocupante em uma região que reúne nove municípios, população flutuante e características urbanas e geográficas distintas, exigindo respostas rápidas para ocorrências no sistema de saneamento.
Portanto, quem está na ponta conhece as características e os problemas de cada unidade. A demora na tomada de decisões pode prolongar ocorrências e aumentar a pressão sobre os trabalhadores responsáveis pela operação.
Auditoria independente já!
Diante da repetição dos problemas, o Sintius entende que não basta tratar cada ocorrência de forma isolada. O Sindicato defende uma auditoria ampla, independente e transparente na gestão administrativa e operacional da Sabesp. Se a nova estrutura administrativa resulta em mais burocracia, demora, falhas e perda de capacidade de resposta, o modelo de gestão precisa ser revisto.
No saneamento, os impactos ultrapassam as relações de trabalho. Água e esgoto são serviços essenciais, e os problemas enfrentados pelos trabalhadores também podem representar riscos à qualidade e à continuidade do atendimento à população.
O Sintius seguirá cobrando medidas para garantir segurança aos empregados, eficiência operacional e qualidade na prestação dos serviços de saneamento.