O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) decidiu, por unanimidade, determinar a alteração das campanhas publicitárias da Sabesp questionadas pela Associação Guarujá Viva (Água Viva). A decisão foi tomada em 16 de julho de 2026, em primeira instância, no julgamento do processo ético nº 095/26.
O uso de influenciadores digitais em conteúdos favoráveis à companhia de saneamento foi levantado pelo Sindicato dos Urbanitários (Sintius), em 20 de janeiro deste ano, e embasou uma reportagem elaborada dias depois pelo site Os Inconfidentes.
A representação apresentada pela Associação Guarujá Viva contestava as campanhas institucionais “Água Limpa, Esgoto Tratado e Mais Qualidade de Vida” e “Verão na Baixada é Praia Cheia”, veiculadas durante o período em que moradores da Baixada Santista enfrentavam problemas recorrentes de abastecimento de água.
Segundo comunicado encaminhado pelo próprio CONAR à entidade, o conselho deliberou, por unanimidade de votos, pela alteração das peças publicitárias. O resumo da decisão deverá ser disponibilizado pelo órgão em seu portal oficial.
Além do conteúdo das campanhas, a denúncia também questionava a forma de divulgação das mensagens, especialmente o uso de influenciadores digitais sem identificação clara de publicidade patrocinada. Em fevereiro de 2026, a entidade protocolou representação sustentando que as campanhas transmitiam uma imagem de normalidade justamente quando milhares de consumidores enfrentavam interrupções no fornecimento de água.
Medida descabida
O Sintius acompanhou com perplexidade a decisão da Sabesp de contratar influenciadores digitais para tentar “amenizar” nas redes sociais um problema que foi sentido, de forma dramática e mais intensa pela população, em dezembro de 2025 e janeiro deste ano.
Para o presidente do Sintius, Tanivaldo Monteiro Dantas, a tentativa de pautar a opinião pública através de “likes” é uma afronta ao cidadão. “Respeitamos o trabalho dos comunicadores, mas ressaltamos que o problema da falta d’água não é de narrativa, é de infraestrutura e operação. É vergonhoso que, enquanto moradores ficaram com as torneiras secas por dias, os recursos da Sabesp sejam direcionados para campanhas de marketing que tentam maquiar o sucateamento do serviço”, afirmou.
Para o engenheiro José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente da Associação Guarujá Viva, a decisão do CONAR representa um reconhecimento da necessidade de responsabilidade na comunicação de serviços públicos essenciais.
“A decisão confirma que nossa preocupação era legítima. Quando uma empresa presta um serviço essencial, sua comunicação precisa refletir a realidade enfrentada pela população. Transparência não pode ser substituída por marketing”, frisou.