A queda nas taxas de sindicalização e os desafios impostos pelas transformações no mundo do trabalho estiveram entre os principais temas debatidos no terceiro e último dia do Seminário Setorial Energia 2026, realizado na sede da CUT, em São Paulo. O Sindicato dos Urbanitários (Sintius) participou do encontro com o presidente Tanivaldo Monteiro Dantas e o secretário-geral Idylio Matheus Martins Santos.
Um dos painéis do evento foi dedicado à construção de um plano de ação para fortalecer a sindicalização nas entidades sindicais. A apresentação foi conduzida por Milena Leão, coordenadora do projeto da IndustriALL Global Union, que abordou a necessidade de transformar a sindicalização em uma estratégia permanente de organização e fortalecimento da representação dos trabalhadores.
Os dados apresentados durante o debate mostram a dimensão do desafio. A taxa geral de sindicalização no Brasil é de 8,9%. Na indústria, o índice chegou a 11,4% em 2024, abaixo dos 21,3% registrados em 2012, uma redução de quase dez pontos percentuais em pouco mais de uma década.
Essa redução tem reflexos diretos sobre a capacidade financeira e a representatividade das entidades, além de dificultar a atuação sindical diante das mudanças provocadas pela reestruturação produtiva, pelas novas tecnologias, pela terceirização e pelas diferentes formas de contratação.
Para a IndustriALL Global Union, o fortalecimento da sindicalização precisa ser tratado como prioridade estratégica, com ações desenvolvidas de forma permanente nos níveis local, nacional e internacional. A proposta também envolve o fortalecimento das capacidades institucionais e organizativas dos sindicatos, a ampliação da cooperação entre entidades de diferentes países e o incentivo à participação de mulheres e jovens no movimento sindical.
Conhecer a categoria para organizar
Um dos pontos centrais apresentados por Milena Leão foi a necessidade de os sindicatos conhecerem profundamente a realidade da categoria que representam para definir um plano de ação.
O mapeamento permanente dos trabalhadores pode considerar aspectos como o perfil etário e de gênero, a distribuição territorial da força de trabalho, as formas de contratação, a presença de terceirizados, o surgimento de novas profissões e os impactos das mudanças tecnológicas.
Também é necessário identificar as principais demandas, preocupações e expectativas dos trabalhadores, além das formas de comunicação e dos espaços de convivência utilizados pela categoria.
Na avaliação de Milena, esse conhecimento também pode fortalecer as negociações coletivas, permitindo que as reivindicações sejam construídas com base nas transformações e nos problemas enfrentados diretamente pelos trabalhadores.