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Sintius acompanha debate sobre redução da jornada sem corte de salários

O Sindicato dos Urbanitários (Sintius), representado pela secretária de Finanças, Rosana dos Santos Ferreira, e pelo secretário de Organização Sindical, Alexandre Dias de Oliveira, participaram, nesta quinta-feira (7), de mais uma etapa da Jornada Nacional de Debates, realizada na sede do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em São Paulo.
A atividade é promovida em conjunto com as centrais sindicais e reúne dirigentes, especialistas e lideranças do segmento para discutir os desafios do mundo do trabalho e o desenvolvimento do País.
Com o tema “Disputar a renda, reduzir a jornada: o trabalho no centro do desenvolvimento”, o encontro debateu propostas para redução da jornada semanal de trabalho sem redução de salários, além do fim da escala 6×1.
Entre os principais pontos apresentados durante a atividade está o Projeto de Lei 1838/2026, que prevê a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, a garantia de dois dias consecutivos de descanso remunerado e a manutenção dos vencimentos, deixando a organização das escalas para negociação coletiva.
Os debatedores defenderam que a redução da jornada representa uma disputa direta pela distribuição da renda e dos ganhos de produtividade, além de possibilitar a geração de empregos, a diminuição da concentração de renda e a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores.
Dados apresentados durante o encontro apontaram, ainda, que jornadas excessivas estão diretamente relacionadas ao aumento de acidentes de trabalho e ao adoecimento físico e mental. Segundo os números divulgados, o Brasil registrou 511 mil acidentes de trabalho em 2024, além de um crescimento de 27% nos transtornos mentais relacionados ao trabalho.
Outro ponto discutido foi o impacto das longas jornadas sobre a educação e a renda. O levantamento mostra que trabalhadores com jornadas de exatamente 40 horas semanais possuem rendimento médio superior aos que trabalham entre 41 e 44 horas. Também foi destacado que setores com jornadas mais extensas, como comércio, construção civil e agropecuária, concentram os menores salários.
Durante o encontro, também foram apresentados dados sobre desigualdade social, informalidade e deslocamento ao trabalho. Segundo os estudos debatidos, cerca de 1,3 milhão de brasileiros levam mais de duas horas para chegar ao trabalho, cenário que afeta principalmente a população preta e parda.