SINTAEMA – Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo
SINTIUS – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de Santos, Baixada Santista, Litoral Sul e Vale do Ribeira
Para registro nos Anais do Congresso de 80 anos da CNTI
O SINTAEMA e o SINTIUS vêm a público manifestar seu mais firme REPÚDIO À CONDUÇÃO DO PROCESSO DE PRIVATIZAÇÃO DA SABESP E À POLÍTICA ADOTADA PELO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO E PELA ATUAL DIREÇÃO DA COMPANHIA, que, na avaliação das entidades, vem subordinando um serviço público essencial à lógica empresarial e financeira, com graves consequências para os trabalhadores e para a população.
A privatização da Sabesp foi concluída em julho de 2024, reduzindo a participação do Estado de São Paulo no capital da Companhia para 18%. A própria Sabesp informa que a empresa atende atualmente 376 municípios e abastece mais de 30 milhões de pessoas.
É justamente por sua dimensão e por sua natureza essencial que água e saneamento não podem ser tratados apenas como ativos financeiros ou como oportunidades de mercado.
Repudiamos a política que vem sendo implementada sob a justificativa de eficiência, produtividade e redução de custos quando, na realidade vivenciada pelos trabalhadores e pelas comunidades, são denunciados redução de quadros, desligamentos, sobrecarga de trabalho, precarização das condições laborais, perda de experiência técnica e dificuldades crescentes para a execução dos serviços.
A Sabesp acumulou, durante décadas, conhecimento técnico e uma estrutura profissional responsável por garantir o abastecimento de milhões de pessoas. O enfraquecimento dessa estrutura não é uma questão meramente administrativa: é uma questão de segurança hídrica, de saúde pública e de interesse social.
Também repudiamos a forma como vêm sendo tratadas as organizações sindicais e os trabalhadores que denunciam problemas e reivindicam soluções. Não aceitaremos que a busca por redução de custos tenha como consequência o enfraquecimento da representação dos trabalhadores, a precarização das relações de trabalho ou a transferência para os empregados dos custos de uma reestruturação empresarial.
A falta de água não pode ser normalizada
A situação vivenciada em diferentes regiões do Estado, inclusive na Baixada Santista, exige resposta pública, transparência e planejamento.
Falta de água, redução de pressão, interrupções no abastecimento, demora na execução de serviços, dificuldades operacionais e problemas de atendimento não podem ser tratados como fatos isolados ou simplesmente atribuídos a circunstâncias ocasionais.
A água é um direito essencial.
Na Baixada Santista, onde a população permanente aumenta significativamente durante períodos de férias, feriados e temporadas de verão, a segurança hídrica exige planejamento antecipado, equipes suficientes, manutenção adequada, investimentos e capacidade de resposta local.
Não é aceitável que a população seja obrigada a conviver com a falta ou irregularidade no abastecimento enquanto se anuncia eficiência e universalização como justificativas para a privatização.
O trabalhador não é custo: é patrimônio técnico
SINTAEMA e SINTIUS rejeitam a concepção de que a redução do número de trabalhadores possa ser apresentada automaticamente como sinônimo de eficiência.
Trabalhador qualificado não é despesa descartável. É patrimônio técnico da empresa e garantia de continuidade do serviço público.
A experiência acumulada por operadores, técnicos, engenheiros, profissionais administrativos e trabalhadores de manutenção representa conhecimento que não se recompõe simplesmente por meio de contratos, terceirizações ou decisões tomadas à distância.
Não aceitaremos que a busca por resultados financeiros se sobreponha à segurança hídrica e ao interesse público.
Água não é mercadoria.
Saneamento não é luxo.
Trabalhador não é custo descartável.
Serviço essencial exige responsabilidade pública.
O SINTAEMA e o SINTIUS reafirmam sua defesa de um saneamento público, universal, de qualidade, socialmente responsável e comprometido com os trabalhadores e com a população paulista.
Esta Nota de Repúdio é apresentada ao Congresso de 80 anos da CNTI, para que seja registrada em seus Anais como manifestação das entidades sindicais em defesa dos trabalhadores do saneamento, da população e do direito fundamental ao acesso à água e ao saneamento.
São Paulo, setembro de 2026.
SINTAEMA
Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo
SINTIUS
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de Santos, Baixada Santista, Litoral Sul e Vale do Ribeira