A possibilidade de o Governo do Estado do Rio de Janeiro vender parte das ações da Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae) tem gerado forte resistência dos deputados estaduais de oposição e mobilizado movimentos populares. Moradores temem uma nova onda de privatização do setor fluminense, após a concessão dos serviços de distribuição de água ter sido marcada por denúncias de piora na qualidade e na universalização.
A preocupação aumentou após o secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione, confirmar a contratação de um estudo para analisar a abertura de capital da estatal, que, em 2024, registrou um lucro superior a R$ 1 bilhão.
Em meio à controvérsia, o governador Cláudio Castro (PL) tem tentado negar que essa medida em análise represente a privatização da água, um discurso que é visto pelos parlamentares de oposição e pela sociedade civil como uma tentativa de enganar a população e desmobilizar a resistência.
Durante o evento “Diálogos RJ”, realizado na última terça-feira, dia 14, Miccione afirmou que, embora a venda de parte das ações para a iniciativa privada esteja em análise, o Governo não pretende abrir mão do controle acionário da Cedae.
Apesar da ressalva, a contratação do consórcio Hidro Rio, que venceu uma licitação de R$ 18,75 milhões para elaborar o estudo de viabilidade, gerou questionamentos de deputados estaduais, especialmente por se tratar de uma empresa que tem demonstrado saúde financeira.
O secretário defendeu a contratação do estudo como uma “etapa natural”, citando como exemplo o que a Sabesp, de São Paulo, fez antes de definir seu futuro. Segundo o chefe da Casa Civil, a análise tem como objetivo avaliar “cenários econômicos e reestruturações”.
Protesto
No dia 9 de outubro, cerca de duas mil pessoas, incluindo movimentos populares, trabalhadores e moradores de favelas, protestaram em frente ao Palácio Guanabara, na Zona Sul. O ato massivo defendeu a permanência da Cedae como empresa pública e denunciou a piora nos serviços de água após as concessionárias assumirem a distribuição em grande parte do estado.
A defesa da água como um bem público e da soberania hídrica no Rio de Janeiro foram as principais bandeiras entoadas pelos manifestantes, que seguem vigilantes contra a venda de qualquer fatia da estatal.