Os trabalhadores do setor elétrico acompanham com atenção os resultados financeiros divulgados pela CPFL Energia para o primeiro trimestre de 2026. Enquanto a companhia registrou lucro líquido de R$ 1,8 bilhão entre janeiro e março, crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano passado, a categoria continua defendendo avanços em pautas consideradas essenciais, como valorização profissional, recomposição dos quadros operacionais, saúde e segurança no trabalho.
Para o Sindicato dos Urbanitários (Sintius), os números demonstram a capacidade da empresa de gerar resultados expressivos. Ao mesmo tempo, reforçam a importância de que parte desse desempenho seja revertida em investimentos voltados aos trabalhadores, que são responsáveis pela operação e manutenção de um serviço essencial para a população.
De acordo com o balanço divulgado pela CPFL, o resultado positivo foi impulsionado principalmente por fatores financeiros e tributários favoráveis. Já o desempenho operacional, medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), permaneceu praticamente estável, somando R$ 3,86 bilhões no período.
Na área de distribuição de energia, principal segmento do grupo, o Ebitda atingiu R$ 2,53 bilhões, apresentando recuo de 2,3% na comparação anual. Segundo a empresa, o resultado foi influenciado por ajustes contábeis relacionados a ativos regulatórios e pela redução de 0,7% no consumo de energia nas áreas de concessão.
Por outro lado, o segmento de geração e comercialização de energia registrou desempenho superior. O Ebitda alcançou R$ 921 milhões, avanço de 10,2%, impulsionado principalmente pelos reajustes contratuais aplicados ao setor.
Quando analisado o lucro por área de atuação, a distribuição respondeu por R$ 1,25 bilhão, crescimento de 15% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Já o segmento de geração contabilizou lucro de R$ 448 milhões, alta de 20,8%. Em sentido contrário, a área de transmissão registrou queda de 13,3%, encerrando o período com lucro de R$ 156 milhões.
Outro dado que chama atenção no balanço é o aumento do endividamento. A dívida líquida da companhia chegou a R$ 30,6 bilhões ao final de março, avanço de 15,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O índice de alavancagem também subiu, passando de 2,04 para 2,31 vezes.
Apesar dos resultados positivos apresentados pela empresa, o Sintius ressalta que o crescimento financeiro deve caminhar lado a lado com a valorização dos trabalhadores. A entidade sindical segue defendendo melhores condições de trabalho, ampliação dos investimentos em segurança, fortalecimento das equipes operacionais e reconhecimento dos profissionais que garantem diariamente a qualidade e a continuidade do fornecimento de energia.
Recentemente, a CPFL também concluiu a renovação das concessões das distribuidoras CPFL Paulista, CPFL Piratininga e RGE. Os efeitos dessa renovação, entretanto, ainda não foram incorporados aos resultados do primeiro trimestre de 2026.