Enquanto o presidente da Sabesp, Carlos Piani, percorre a Baixada Santista, concede entrevistas e afirma que os investimentos estão avançando, moradores da região continuam relatando problemas no abastecimento de água, especialmente em Guarujá. O contraste entre o discurso institucional e a realidade mostrada por moradores e reportagens exibidas pela imprensa regional tem chamado a atenção.
Para o Sindicato dos Urbanitários (Sintius), a narrativa apresentada pela empresa não corresponde aos problemas enfrentados diariamente pela população. Enquanto a Sabesp destaca investimentos e projetos futuros, moradores seguem convivendo com interrupções no abastecimento, dificuldades para obter respostas sobre a normalização do serviço e, ao mesmo tempo, são obrigados a arcar com contas de água cada vez mais caras.
O que mais revolta a população é justamente esse contraste: o serviço piora enquanto a conta aumenta. Em vez de perceber melhorias compatíveis com os valores cobrados, milhares de consumidores veem o peso da tarifa crescer no orçamento familiar sem receber um abastecimento confiável. A água, que é um serviço essencial, não pode se transformar em um produto de alto custo entregue de forma precária.
Reportagens recentes veiculadas pelas TVs regionais escancaram a realidade nua e crua da população, que foi abandonada à própria sorte após o avanço do processo de privatização. São vários relatos de dias sem abastecimento de água, além de dificuldades para realizar atividades básicas do cotidiano. Os casos reforçam que os problemas continuam afetando diversos bairros.
Muito antes da transferência do controle da empresa para a iniciativa privada, o Sindicato alertou as autoridades e a opinião pública sobre os riscos significativos da redução drástica do quadro funcional e do desmonte das equipes técnicas. O Sindicato avisou que enxugar postos de trabalho e priorizar margens de lucro em detrimento da eficiência operacional geraria o colapso dos serviços prestados à sociedade.
Infelizmente, a maioria dos gestores e autoridades optou por ignorar os avisos do Sintius. O resultado dessa política está diante dos olhos da população: um sistema fragilizado, incapaz de garantir um serviço essencial com regularidade, enquanto a rentabilidade para os acionistas e os resultados financeiros parecem ocupar lugar de destaque nas prioridades da empresa. Quem paga essa conta é a população, que sofre duas vezes: primeiro com a falta de água nas torneiras e, depois, com tarifas elevadas que comprometem cada vez mais o orçamento das famílias.
O grito de socorro dos moradores
O abismo entre o discurso oficial da Sabesp e o sofrimento cotidiano da população fica evidente no clamor dos moradores de Guarujá, que acumulam dias sem uma gota de água em suas casas.
De seu gabinete ou em visitas controladas, Carlos Piani discursa sobre um plano de R$ 10,5 bilhões, prometendo dezenas de reservatórios, quilômetros de adutoras e um futuro brilhante até 2029. Enquanto a empresa apresenta planos de investimento para os próximos anos, moradores relatam dias seguidos sem água, situação que compromete atividades básicas, como cozinhar, higienizar a casa e manter a rotina das famílias.
Para quem abre a torneira e encontra apenas ar, pouco importa o tamanho das promessas para 2029. O que a população espera é respeito, abastecimento regular e uma tarifa compatível com a qualidade do serviço prestado. Não é aceitável que famílias sejam penalizadas por cobranças cada vez maiores enquanto convivem com um serviço instável e insuficiente.
A promessa de um futuro moderno não resolve a sede de quem foi abandonado hoje pela gestão privada. Da mesma forma, não há justificativa para impor tarifas elevadas à população quando o serviço deixa de atender às necessidades mais básicas dos consumidores.
O Sintius continuará ao lado da população e dos trabalhadores, denunciando a precarização dos serviços, cobrando transparência na política tarifária e exigindo responsabilidade de quem transformou um patrimônio público essencial em um negócio voltado prioritariamente ao retorno financeiro dos investidores. Água é um direito da população, não um privilégio para quem pode pagar cada vez mais por um serviço que deveria ser universal, contínuo e de qualidade.