O mês de janeiro carrega um forte simbolismo de recomeços, reflexões e novos projetos. Por isso, ele abriga duas importantes campanhas de conscientização em saúde: o Janeiro Branco, voltado à promoção da saúde mental e emocional, e o Janeiro Roxo, dedicado ao combate à hanseníase. Juntas, essas iniciativas reforçam uma mensagem essencial: cuidar da saúde de forma integral é fundamental para a qualidade de vida e para a construção de uma sociedade mais consciente e solidária.
Criado em 2014 pelo psicólogo mineiro Leonardo Abrahão, o Janeiro Branco é uma campanha nacional que convida as pessoas a refletirem sobre suas emoções, comportamentos e relações. A ideia da “folha em branco” representa a possibilidade de ressignificar histórias e priorizar o bem-estar psicológico. A relevância da campanha é evidenciada pelos dados: o Brasil lidera o ranking mundial de transtornos de ansiedade, afetando cerca de 18 milhões de pessoas, e os casos de depressão e outros transtornos mentais cresceram significativamente após a pandemia de COVID-19. Falar sobre saúde mental, reduzir o estigma e incentivar a busca por ajuda especializada são passos fundamentais para a prevenção e o tratamento adequados.
No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a população conta com diversos serviços gratuitos, como as Unidades Básicas de Saúde (UBS), os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), as clínicas-escola de Psicologia e o apoio emocional do Centro de Valorização da Vida (CVV), disponível 24 horas pelo telefone 188. Identificar sinais de sofrimento emocional, como mudanças de comportamento, isolamento ou alterações no sono, e buscar ajuda são atitudes de cuidado e responsabilidade consigo e com o outro.
Já o Janeiro Roxo chama a atenção para a hanseníase, uma doença infecciosa que ainda carrega forte estigma social, apesar de ter cura quando diagnosticada e tratada precocemente. O Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de casos, ficando atrás apenas da Índia. A hanseníase é causada pela bactéria Mycobacterium leprae e atinge principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo causar incapacidades físicas, especialmente nas mãos, pés e olhos, se não tratada a tempo.
A transmissão ocorre por meio do contato prolongado com pessoas não tratadas, e o período de incubação é longo, variando em média de 2 a 7 anos. Os principais sinais incluem manchas na pele com alteração de sensibilidade ao toque, à dor ou à temperatura. O diagnóstico é essencialmente clínico e realizado nas unidades de Atenção Primária à Saúde, com tratamento totalmente gratuito pelo SUS. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de cura e menores os riscos de sequelas, inclusive em gestantes e crianças.
Assim, Janeiro Branco e Janeiro Roxo nos lembram que saúde mental e saúde física caminham juntas. Promover informação, combater o preconceito, incentivar o diagnóstico precoce e fortalecer o acesso aos serviços de saúde são atitudes que salvam vidas. Janeiro não é apenas o início do ano, mas também um convite à reflexão, ao cuidado e à construção de um futuro mais saudável para todos.