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Câmara de Santos cobra Sabesp por falta de água e aponta falhas após privatização

A crise no abastecimento de água e a precarização dos serviços de saneamento em Santos foram o centro de um debate duro e necessário na sessão da Câmara Municipal realizada na última terça-feira (22).
Os vereadores cobraram explicações da Sabesp, criticaram severamente o modelo de gestão atual e apontaram responsabilidades diretas pelo processo de privatização da companhia.
O debate ganhou força durante a votação do parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) referente ao Projeto de Lei (PL) 149/2026, de autoria do vereador Adriano Piemonte (União).
A proposta estabelece penalidades administrativas à empresa em casos de falhas ou interrupções no fornecimento. Na ocasião, os parlamentares derrubaram o parecer contrário da CCJ, permitindo que o texto avance na Casa de Leis.
Além da discussão sobre o projeto, o Legislativo municipal colocou sob suspeita a qualidade das obras executadas na Cidade, direcionando críticas duras à terceirização e à quarteirização de serviços adotadas pela gestão privada.

Críticas a Tarcísio e aos deputados
A discussão rapidamente extrapolou os limites operacionais e chegou à esfera política. Diversos parlamentares responsabilizaram diretamente o modelo de privatização conduzido pelo Governo do Estado, sob a batuta de Tarcísio de Freitas, além de questionarem a conivência dos deputados estaduais que aprovaram a venda da empresa, em dezembro de 2023.
O vereador Chico Nogueira (PT) pontuou que os problemas atuais não podem ser atribuídos apenas à operação diária da companhia, apontando o dedo para o governador e para a bancada legislativa que apoiou a entrega do saneamento.
A visão foi compartilhada pela vereadora Débora Camilo (PSOL), que associou diretamente o caos às diretrizes impostas pela privatização. No mesmo sentido, o vereador Marcos Caseiro (PT) questionou onde estão os parlamentares estaduais que deveriam fiscalizar a eficácia dos serviços entregues à população.

Consumidores penalizados e o clamor da população

Piemonte destacou um desequilíbrio na relação de consumo: enquanto a Sabesp dispõe de mecanismos rigorosos para cobrar e penalizar os consumidores em caso de inadimplência, a sociedade precisa contar com ferramentas legais para responsabilizar a empresa quando o serviço essencial falha.
O descontentamento com o cenário atual encontrou eco na fala de outros parlamentares. O vereador Adriano Catapreta (PSD) classificou a situação como “uma vergonha”, afirmando categoricamente que, em 25 anos de vivência na cidade, nunca presenciou uma crise de desabastecimento de água com proporções tão graves.
Já o vereador Chita Menezes (PSB) criticou a falta total de planejamento nas intervenções urbanas e repudiou a ausência de representantes da Sabesp na Câmara para prestar esclarecimentos oficiais aos cidadãos e aos vereadores.
Para o Sintius, o cenário enfrentado em Santos confirma o que o Sindicato alertou desde o início: a prioridade da iniciativa privada é o lucro de acionistas, e não a garantia de um direito básico como a água.

 

O Sintius seguirá apoiando iniciativas que defendam a população e cobrando respeito aos trabalhadores e aos consumidores da Baixada Santista.