O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de Santos, Baixada Santista, Litoral Sul e Vale do Ribeira torna pública sua profunda preocupação com o modelo de gestão adotado na Sabesp após o processo de privatização, cujos efeitos já impactam diretamente os trabalhadores e a população usuária dos serviços de saneamento.
Sob o discurso de eficiência e modernização, consolida-se um modelo orientado pela lógica do mercado, que promove cortes de custos por meio da redução de equipes, retirada de direitos históricos e fragilização da capacidade operacional. Essa escolha política compromete o planejamento, a resposta a situações críticas e a qualidade do serviço prestado.
Do ponto de vista sindical, é imprescindível registrar que, entre os parlamentares presentes, apenas o deputado estadual Caio França, acompanhado por alguns vereadores da região, assumiu uma posição clara, firme e coerente contra a privatização da Sabesp e contra o modelo de gestão imposto pela Equatorial. As demais manifestações evitaram enfrentar a raiz do problema, limitando-se a críticas superficiais que não questionam a lógica privatista.
A fala da deputada Solange Freitas, que tenta se colocar como fiscalizadora ao mesmo tempo em que evita questionar o modelo privatizado que ajudou a sustentar, revela uma postura contraditória e em cima do muro. Não é possível defender a privatização da Sabesp e, ao mesmo tempo, fingir surpresa ou indignação com os efeitos concretos desse modelo. A precarização atual não é um desvio; ela é consequência direta da opção política feita.
É importante reforçar que dificuldades relacionadas à demanda sempre existiram e historicamente foram enfrentadas com planejamento, conhecimento técnico e valorização do quadro funcional. O que se observa agora é o enfraquecimento deliberado dessas capacidades.
A entidade reafirma que saneamento não pode ser tratado como mercadoria. Água é direito, serviço público essencial e responsabilidade do Estado. Sem trabalhadores valorizados, investimento estrutural e gestão pública comprometida com o interesse coletivo, não há solução duradoura.
O sindicato seguirá vigilante, denunciando retrocessos e defendendo um modelo de saneamento público, eficiente e socialmente justo.
Tanivaldo Monteiro Dantas
Presidente