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Governo de São Paulo não descarta tarifa de contingência da Sabesp em meio à estiagem

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (19) que “nada está descartado” ao ser questionado sobre a possibilidade de adoção de uma tarifa de contingência por parte da Sabesp, diante do risco de agravamento da crise hídrica ao longo deste ano.

A declaração foi feita durante coletiva de imprensa em Itapecerica da Serra. Segundo o chefe do Executivo paulista, o Estado já vem adotando medidas técnicas para preservar os mananciais, como transposição de bacias, obras de interligação de reservatórios e gestão da demanda no período noturno.

Sistema Cantareira em alerta

Atualmente, o Sistema Cantareira opera com 33,3% do volume útil, em um cenário de chuvas abaixo da média na Grande São Paulo. Como medida preventiva, a Sabesp tem reduzido a pressão da água na rede por cerca de dez horas diárias, com o objetivo de economizar e preservar os reservatórios.

A redução de pressão, embora apresentada como ação técnica de gestão, já gera preocupação em diversas regiões, especialmente nas áreas mais altas e periféricas, onde o abastecimento costuma ser mais impactado.

O que é a tarifa de contingência?

A chamada tarifa de contingência prevê cobrança adicional para consumidores que ultrapassarem a média de consumo registrada no ano anterior.

Durante a crise hídrica de 2014, a sobretaxa chegou a dobrar o valor da conta para imóveis que excedessem em mais de 20% a média estabelecida. A medida foi considerada emergencial à época, mas provocou forte impacto no orçamento das famílias.

Agora, com a possibilidade novamente colocada sobre a mesa, cresce a preocupação quanto aos efeitos econômicos da medida.

Conta mais cara desde janeiro

Vale lembrar que, em janeiro de 2026, a tarifa de água da Sabesp sofreu reajuste de 6,11%. Com isso, o valor residencial passou a girar em torno de R$ 6,40 por metro cúbico (m³).

Na prática, qualquer eventual sobretaxa incidiria sobre uma base já reajustada, ampliando ainda mais o peso da conta de água no orçamento doméstico — especialmente em um contexto de inflação e aumento do custo de vida.

Governo fala em planejamento

O governador destacou que as ações adotadas até o momento evitaram medidas mais severas, como rodízio ou racionamento, e reforçou que o planejamento considera não apenas o cenário atual, mas também os próximos períodos de estiagem.

Apesar disso, ao afirmar que “nada está descartado”, o governo sinaliza que poderá recorrer a instrumentos tarifários caso o quadro dos reservatórios se agrave.

Cenário em aberto

Com os reservatórios em nível reduzido, pressão já diminuída na rede e tarifa reajustada neste ano, a possibilidade de cobrança adicional reacende o debate sobre gestão hídrica, planejamento estrutural e impacto social das medidas emergenciais.

A evolução do volume dos mananciais nas próximas semanas será determinante para os próximos passos.