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Diretoria do Sintius manifesta solidariedade aos trabalhadores argentinos em greve geral

A Diretoria do Sindicato dos Urbanitários (Sintius) manifesta solidariedade aos trabalhadores da Argentina, que realizam nesta quinta-feira, dia 19, a quarta greve geral desde o início do governo de Javier Milei, em 2023. A paralisação é uma resposta à reforma trabalhista apresentada pelo presidente, classificada pelas centrais sindicais como um duro ataque aos direitos históricos dos trabalhadores.
A proposta, anunciada como “modernização do trabalho”, altera profundamente a legislação vigente desde 1974. Entre os pontos mais preocupantes estão a ampliação da jornada para até 12 horas diárias, a redução de indenizações, a flexibilização do pagamento de horas extras, a criação de banco de horas e a possibilidade de fracionamento das férias. O texto também limita o direito de greve e impõe restrições à organização sindical, como a exigência de autorização prévia das empresas para assembleias.
Outro retrocesso é o fim da “ultratividade” dos acordos coletivos, que garante a manutenção de cláusulas até a assinatura de novo acordo. A proposta ainda revoga estatutos profissionais específicos e enfraquece a negociação coletiva, impondo obstáculos à livre organização dos trabalhadores e cerceando o direito de manifestação.
Ao se posicionar em apoio aos argentinos, o Sintius relembra a experiência brasileira com a reforma trabalhista aprovada em novembro de 2017, durante o governo de Michel Temer. Assim como na Argentina, a flexibilização das relações de trabalho foi defendida como solução para gerar empregos e impulsionar a economia.
No entanto, o que se verificou no Brasil foi o aumento da informalidade e da precarização. A promessa de geração de empregos não se confirmou, houve queda na remuneração média e redução do poder de compra das famílias, impactando negativamente o crédito e dificultando a retomada da atividade econômica.
Além disso, a reforma brasileira criou obstáculos ao acesso à Justiça do Trabalho e enfraqueceu os sindicatos, deixando os trabalhadores mais vulneráveis. Para o Sintius, a experiência demonstra que retirar direitos e limitar a organização coletiva não fortalece a economia, mas aprofunda desigualdades e compromete a dignidade do trabalho.