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Enquanto faltou água nas torneiras, Sabesp apostou em influenciadores

O Sindicato dos Urbanitários (Sintius), legítimo representante dos trabalhadores da Sabesp da Baixada Santista e do Vale do Ribeira, manifesta seu mais profundo repúdio à estratégia adotada pela atual gestão da empresa diante da grave crise de desabastecimento que castiga a região desde o final de dezembro. A instituição acompanha com perplexidade a decisão da companhia de contratar influenciadores digitais para tentar “amenizar” nas redes sociais um problema que é sentido de forma dramática pela população.

Para o presidente do Sintius, Tanivaldo Monteiro Dantas, a tentativa de pautar a opinião pública através de “likes” é uma afronta ao cidadão. “Respeitamos o trabalho dos comunicadores, mas ressaltamos que o problema da falta d’água não é de narrativa, é de infraestrutura e operação. É vergonhoso que, enquanto moradores ficaram com as torneiras secas por dias, os recursos da Sabesp sejam direcionados para campanhas de marketing que tentam maquiar o sucateamento do serviço”, afirmou.

Essa estratégia de comunicação, porém, tenta esconder um problema ainda mais profundo: o enfraquecimento do braço operacional da empresa. Segundo o Sintius, o colapso no abastecimento não pode ser justificado apenas pela demanda sazonal de turistas, mas pela redução drástica do quadro técnico após a privatização. A maioria dos profissionais tinha décadas de experiência e conhecimento específico da rede da Baixada Santista. A ausência deles deixou o sistema vulnerável e sem capacidade de resposta rápida.

“Os inúmeros alertas feitos pelo Sintius e ignorados pela classe política se materializaram agora. A perda do controle público trouxe resultado uma gestão que prioriza o lucro e os dividendos em detrimento da eficiência. Esse cenário provocou prejuízos incalculáveis à economia, ao comércio e ao turismo regional por pura incapacidade de gestão”, justificou Tanivaldo.

Diante desse cenário, o Sintius não apenas denuncia o descaso, como se coloca à disposição da Assembleia Legislativa e das Câmaras Municipais para subsidiar as investigações sobre as constantes falhas no serviço ofertado, que atingiram o ápice nas últimas semanas. É urgente apurar o porquê, sob a nova gestão, o investimento em publicidade parece ser a única “obra” entregue com agilidade, enquanto o direito básico ao acesso à água é negligenciado.